O estereótipo pode ser entendido como a generalização excessiva e indevida acerca de um comportamento, característica, atitudeou qualidade relativa a um determinado grupo étnico, que em principio resulta numa avaliação negativa da questão em causa.
Deriva de duas palavras gregas, stereos e typos compondo "impressão sólida",e é usado principalmentepara definir e limitar pessoas ou grupos de pessoas na sociedade, funcionando como um motivador para o preconceito e a discriminação.
Por vezes os estereótipos apesar de encerrarem avaliações negativas, os objetivos destes poderão ser aparentemente positivos, isto poderá acontecer, por exemplo, quando alguém diz que os negros são musicais ou que os judeus são solidários entre si. Estas avaliações poderão trazer consigo a conotação de que, no 1º caso, os negros serão pouco dotados para outro tipo de trabalhos, e que, no 2º caso, aquele povo segrega outras comunidades.
É por vezes difícil de estabelecer uma fronteira entre estereótipo e realidade objetiva, mas no entanto qualquer generalização exagerada relativamente a um grupo étnico mesmo quando baseada em estatísticas ou estudos científicos é considerada um estereótipo, o facto de uma grande parte de um grupo social possuir uma característica específica, não determina que todos os membros daquele grupo possuam essa característica.
Quando falamos em estereótipo não poderemos deixar de parte o preconceito, este traduz a apreensão de uma série de crenças e valoresque são aplicados a determinadas realidades antes que essas sejam objetivamente vividas ou avaliadas.
Apesar de tudo muitos estereótipos são necessários para a relação social, funcionando por vezes como guias de comportamento e códigos de comunicação, como é o caso dos conceitos de idade, sexo, profissão, religião, classe social, etc., que ajudam, por um lado, a prever comportamentos e , por outro, ajudam ao estabelecimento de laços entre as pessoas.
A socialização refere-se ao processo pelos quais os indivíduos a adquirirem o saber, as habilidades e as motivações que lhes permitem integrar-se na sociedade. É uma aprendizagem que ocorre ao longo de todo o desenvolvimento da personalidade. É um processo contínuo que nunca se dá por terminado, realizando-se através da comunicação
A socialização é, portanto, um processo fundamental não apenas para a integração do indivíduo na sua sociedade, mas também, para a continuidade dos sistemas sociais.
há dois tipos de socialização:
• socialização primária, ocorre na infância com grande intensidade e caracteriza-se pela aquisição de regras e condutas básicas da vida social (alimentação, higiene, linguagem, autonomia,normas e interdições);
• a socialização secundária, ocorre na vida adulta com menor intensidade e está ligada à integração plena na vida social activa e aos ajustamentos decorrentes de alterações nos estatutos e papéis (profissão, família,...).
Em conclusão, a socialização primária refere-se à assimilação dos saberes de base enquanto a socialização secundária, diz respeito à aquisição de saberes especializados.
No meio de tudo isto encontramos os agentes de socialização, que são grupos que possibilitam a assimilação da cultura e da integração social.
Um dos efeitos da interacção dos grupos mais estudado pela dinâmica dos grupos é o da influência, em particular os efeitos de conformismo e de obediência.
Enquanto o conformismo se manifesta na obediência à pressão social (sociedade ou grupo), o inconformismo manifesta-se na independência de atitudes e comportamentos. A não-conformidade inclui comportamentos desviantes positivos (dinamismo cultural) e negativos.
Um bom exemplo de inconformismo é o Movimento Pacifista de Jonh Lennon.
A maioria de nós conhece John Lennon como um músico famoso que iniciou a sua carreira como vocalista e guitarrista dos Beatles e Yoko Ono como artista plástica que se tornou mais conhecida quando iniciou um relacionamento com John. Encontrei um bom documentário que retrata o movimento pacifista deste casal. O documentário dá-se no período entre os anos 1966 a 1976 e mostra uma década em que Richard Nixon, presidente dos EUA, comandava a Guerra do Vietname e, por isso, teve de enfrentar a opinião pública, o movimento pacifista, a luta pelos direitos civis, movimentos políticos e principalmente os artistas que inflamavam a população contra as suas decisões, dentre eles, John Lennon, um dos mais notórios. John Lennon e Yoko Ono tornam-se activistas convictos e consequentemente ícones da luta contra a Guerra do Vietname.
É neste contexto de provocações que John e Yoko mudam-se para Nova Iorque, considerado o epicentro artístico do mundo ocidental naquela altura. Johnn alia-se a outros activistas como o líder do grupo Panteras Negras Bobby Seale e o casal começa a participar em concertos promovidos contra a guerra e em eventos contra culturais de todas as espécies, seja pela afirmação dos direitos políticos dos negros e das mulheres, seja em espectáculos de protesto contra a prisão de activistas além de apoiarem os democratas nas eleições de 1972 dos EUA.
Diante disto, Johnn Lennon foi julgado pela sua condição de estrangeiro que usufruía dos benefícios da potência imperialista, enquanto desmoralizava os seus líderes políticos, em retaliação à sua posição de "figura pública com opinião". Lennon tornou-se alvo preferencial de Nixon e de J. Edgar Hoover, director do FBI. A agência espionou o músico e levantou um grande dossier e tudo isto culminou num processo de deportação do casal pelo departamento de imigração que usou como justificação uma apreensão de droga na Inglaterra, anos antes. Essa situação durou quase dois anos, até o conhecido escândalo Watergate afastar Nixon do poder.
O outro assunto relatado no documentário que destaco, por se tratar de um tema arquivístico, é o acesso aos documentos. É mostrado no final do documentário a dificuldade de acesso aos documentos sobre John Lennon e é citada ainda a lei de 1966, dos USA, sobre acesso a informação.
Deixo aqui o trailer do documentário, e a sua fiche técnica com o respectivo link do site oficial do mesmo.
Ficha Técnica:
Título Original: The USA X John Lennon
Título em português: Os EUA X John Lennon
Direção: David Leaf, John Scheinfeld
Fotografia: James Mathers
Origem: Estados Unidos
Ano de produção: 2006
Elenco: Depoimentos de: Walter Cronkite, Mario Cuomo, Angela Davis, G. Gordon Liddy, George McGovern, May Pang, Geraldo Rivera, John Lennon, Yoko Ono, Richard Nixon, J. Edgar Hoover, Ron Kovic, Gore Vidal, Bobby Seale.
Idioma: Inglês
Duração: 99 minutos
Gênero: Documentário, Biografia
Estúdio: Lionsgate Films
Site oficial do documentário: http://www.theusversusjohnlennon.com/site/
Pessoalmente, foi uma surpresa descobrir, por meio deste documentário, que John Lennon foi considerado uma ameaça aos USA, bem como, a sua vida foi intensamente investigada pelo FBI. Já sabia que John Lennon e Yoko Ono fizeram parte do movimento pacifista dos EUA e que sempre se posicionaram contra a guerra do Vietname mas não que isso se tornara motivo para os EUA considerarem John um "inimigo público", na verdade, assim o chamavam, mas era de fato inimigo do governo republicano, de Nixon.
A plasticidade cerebral define-se como a capacidade que o cérebro
tem em se remodelar em função das experiências do sujeito, reformulando as suas
conexões em função das necessidades e dos factores do meio ambiente.
Há alguns anos atrás, admitia-se que o tecido
cerebral não tinha capacidade regenerativa e que o cérebro era definido
geneticamente, ou seja, possuía um programa genético fixo caracterizado pela
estabilidade das suas conexões que se diziam, na altura, imutáveis. No
entanto, não era possível explicar o facto de pacientes com lesões severas
obterem, com técnicas de terapia, a recuperação de algumas funções.
Porém, o aumento do conhecimento
sobre o cérebro mostrou que este é muito mais maleável do que até então se
imaginava, modificando-se sob o efeito da experiência, das percepções, das
acções e dos comportamentos.
Alain Prochiantz, neuro-cientista,
que se dedica à compreensão da
plasticidade do cérebro.
Deste modo, podemos referir que a relação que o ser
humano estabelece com o meio produz grandes modificações no seu cérebro,
permitindo uma constante adaptação e aprendizagem ao longo de toda a vida.
Assim, o processo da plasticidade cerebral torna o ser humano mais eficaz .
A plasticidade cerebral explica o
facto de certas regiões do cérebro poderem substituir as funções afectadas por
lesões cerebrais. Como tal, uma função perdida devido a uma lesão cerebral tal
como um tumor, AVC, etc... pode ser recuperada por uma área vizinha da
zona lesionada. Contudo, a recuperação de certas funções depende de alguns
factores, como a idade do indivíduo, a área da lesão, a quantidade de tecidos
afectados, os mecanismos de reorganização cerebral envolvidos . Para além
destes factores, a terapia vai desenvolver um papel fundamental na recuperação
do individuo.
PLASTICIDADE SINÁPTICA
As sinapses são conexões (impulsos
nervosos ) especializadas que permitem transmitir informação entre os
neurónios. São, por isso, estruturas dinâmicas que governam e moldam o fluxo de
informação do circuito nervoso .
Sendo assim, a plasticidade sináptica
consiste na capacidade de modificação por parte das redes neuronais. Ou seja,
perante cada experiência nova do indivíduo, as sinapses são reforçadas ou
alteradas, permitindo a aquisição de novas respostas ao meio ambiente.
Por isso, a plasticidade sináptica
constitui um mecanismo importante da plasticidade cerebral,
permitindo igualmente que uma lesão ao nível da transmissão de informação
neuronal seja recuperada através da criação de outras redes neuronais que
possam "disfarçar" os danos causados pela lesão.
Para além de tudo já referido, é também esta plasticidade cerebral
que vai proporcionar a aprendizagem de cada individuo, uma vez que é
graças à necessidade constante de resposta de cada individuo ao meio que este aprende. A
aprendizagem é o principal instrumento de adaptação humana que se manifestará
nas diversas vertentes sociais, cientificas, culturais, etc...
IMPORTÂNCIA DA TERAPIA
A reabilitação do cérebro lesionado pode
promover arecuperação de
circuitos neuronais danificados. Quando há uma pequena perda de conectividade
neuronal, esta tende a ser recuperada de uma forma autónoma .
No entanto, quando essa perda é de maior
grau, tenderá a tornar-se uma perda permanente, daí a impossibilidade de
recuperar certas funções depois de determinados acidentes ou doenças provocarem
elevados danos neurológicos.
Criança em recuperação após lesão cerebral.
Mesmo assim, em muitos casos, as
lesões aparentemente irreparáveis podem tornar-se “parcialmente” recuperáveis,
por exemplo, o caso de uma criança que esteve sequestrada pelo próprio pai
durante 13 anos e não falava. Através de testes neurológicos descobriu-se que a
área do cérebro responsável pelo controlo da linguagem estava menos
desenvolvida, isto é, não tinha sido suficientemente estimulada durante o
momento adequado para o desenvolvimento das estruturas cerebrais responsáveis
pela linguagem. Contudo, submetida a uma terapia específica , a criança
conseguiu recuperar, lentamente, formas elementares de comunicação verbal.
Para este e muitos outros casos de lesões cerebrais, foi
necessário um tratamento especifico, proporcionado por diversos tipos de
terapia (fisioterapia, psicoterapia, osteopatia, entre muitos outros), que
mantêm níveis adequados de estímulos facilitadores e inibidores de funções nos
neurónios.
O inconsciente é um termo psicológico com dois significados: processos mentais sem a intervenção da consciência e a teoria psicanalítica.
Freud, psiquiatra austríaco, desenvolveu o conceito de teoria psicanalítica, que consiste em descrever a etiologia dos transtornos mentais, a personalidade e desenvolvimento do homem, com isto Freud desenvolveu um tipo de psicoterapia.
O inconsciente é nos mostrado através de comportamentos inesperados, humor, lapsos na linguagem (gaffes) e incoerência de pensamentos. Como por exemplo o olhar de uma pessoa quando passa na rua, temos uma certa perceção sobre essa pessoa pois o inconsciente associa o olhar, a um outro que nos causa incomodo porque nos faz lembrar o olhar de um tio mal humorado.
O inconsciente prevê/ antecede acontecimentos muito mais rapidamente que a consciência daí que nós não vivemos realmente o presente pois este é percecionado pelo inconsciente.
Concluindo, a inconsciência é algo que faz parte de todos nós, e agora que ficamos a saber o que é, não podemos dizer que fazemos escolhas sem pensar, e consequentemente não termos responsabilidades por elas.
Sabemos que a dislexia é uma doença genética e neurológica, não um dano cerebral, e a maneira como esta se relaciona com o funcionamento cérebro é um tema complicado que os cientistas têm vindo a estudar desde que foi dada a definição de dislexia, sendo dislexia uma incapacidade de aprendizagem que é de origem neurobiológica.
De acordo com um estudo, as crianças disléxicas usam aproximadamente 5 vezes mais o cérebro do que as crianças normais, durante uma tarefa de linguagem simples. Investigadores, liderados pela universidade de Washington, usaram uma nova técnica não evasiva chamada protón de imagem eco-planar espetroscópica (pespi) de modo a explorar a atividade cerebral. Neste estudo usaram 6 crianças disléxicas e 7 não disléxicas, todas foram submetidas aos mesmos testes, no final deste estudo os investigadores concluíram então, que o cérebro das crianças disléxicas trabalhava muito mais do que as outras.
As crianças com dislexia mostram dificuldades no reconhecimento de palavras, devido a uma deficiência no som e na língua, que torna difícil para os leitores ligar as letras e sons, daí que as pessoas com dislexia têm uma maior dificuldade em compreender o que leem. A maior parte das áreas responsáveis pela fala, leitura e os seus devidos processos localizam-se no hemisfério esquerdo do cérebro, sendo assim a dislexia uma doença a nível neurológico, com isto conseguimos concentrar todas as nossas descrições e figuras.
Em suma as pessoas com dislexia apesar das dificuldades na descodificação das palavras conseguem ter um bom desempenho em tarefas de ortografia e leitura, só que de maneira mais demorada.
Andreia Lopes.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
O Papel das áreas pré-frontais do cérebro
"O erro de Descartes" - António Damásio
António Damásio, médico neurologista e neurocientista português, nascido em 1944, debruçou-se no seu livro "O erro de Descartes", entres outras coisas, num dos casosmais famosos da neurociência: o acidente de Phineas Gage.
Este homem sofreu um acidente que lhe atingiu o cérebro, mais precisamente o córtex pré-frontal (ou áreas pré-frontais), áreas essas que são responsáveis pelas principais funções intelectuais do homem e involvem também complexas relações com as emoções (algo que hoje é conhecido mas que, na altura, era desconhecido por parte da comunidade científica).
Phineas Gage, após ter sofrido este complicado acidente, não ficou com nenhuma sequela aparente. À excepção de um olho que perdeu, visão, fala e movimentos continuaram
perfeitos. Todavia, algo nele se alterou: o seu comportamento.
Este homem, que se dizia gentil, tornou-se rude, mal educado e cruel naquilo que dizia.
De facto não houve mudanças físicas evidentes, mas emocionalmente houve uma grande mudança neste que até então foi funcionário dos caminhos-de-ferro americanos, que acabou por falecer deambulando isolado pelas ruas de Nova Iorque.
Partindo da teoria cartesiana, que acreditava que o corpo (físico) era separado da mente (emoções) e que não havia qualquer ligação entre eles, face ao caso de Phineas Gage e comparando-o com outro semelhante (indiferença afetiva por parte de Elliot, paciente de António Damásio, após um tumor cerebral que o obrigou a retirar parte do córtex), o médico português chegou a algumas conclusões: coloca a hipótese de as emoções estarem intimamente relacionadas com as escolhas racionais e, em consequência disso, o erro da referida teoria de Descartes.
De facto, estes casos demonstram que as emoções e comportamentos estão ligados a partes específicas do cérebro.
Os lobos cerebrais são áreas muito importantes do cérebro
humano responsáveis por várias funções que nos permite ter uma vida
independente e conseguir responder a estímulos. Lesões nestas áreas limitam
toda a vida do ser humano porque normalmente são lesões muito graves. Existem
quatro lobos no cérebro humano. O lobo central (localizado na parte da frente
do cérebro usualmente designada por testa), o lobo temporal (situado na parte
lateral do cérebro mesmo por cima da zona das orelhas), o lobo parietal
(localizado na parte superior do cérebro) e, por último o lobo occipital
(situado na parte de trás do nosso cérebro).
A epilepsia do lobo frontal é uma caracterizada por ataques
com o foco nesta área do cérebro. Normalmente ocorrem movimentos que envolvem o
rosto e as extremidades superiores. Os ataques nestas regiões frontais podem
estar associados com revirar da cabeça e olhos, tipicamente distantes do lado
de foco do ataque. Os ataques do lobo frontal podem ser causados por um processo
de doença identificável, como lesões traumáticas.
O Alzheimer é uma doença degenerativa e que até ao momento
não tem qualquer tipo de cura. Esta doença é a principal causa de insanidade em
pessoas com mais de 60 anos. Afecta as áreas responsáveis pela memória e
aprendizagem, ou seja, o lobo temporal. O primeiro sintoma e o mais comum é a
perda de memória que é confundido muitas vezes com o stress excessivo ou com o
aumento da idade. Com o avançar do tempo e consequentemente com o avançar da
doença as pessoas que sofrem da mesma experimentam confusão mental, alterações
de humor, falhas na linguagem e perda da memória a longo prazo. Os neurónios
vão morrendo e a quantidade de neurotransmissores diminui aumentando com isto a
dificuldade em reconhecer e identificar objectos (agnosia) e na execução de
movimentos (apraxia).
A cegueira é uma doença na qual existe a falta de percepção
visual devido a factores fisiológicos ou neurológicos. Acegueira cortical é a perda total da
visão em todo ou em parte do campo visual devido a uma disfunção ou dano no
lobo occipital.
Concluindo, todos os tipos de prevenção destas doenças devem
ser tomadas. No caso do Alzheimer a estimulação cerebral é indispensável. O
estudo, o jogo do dominó, fazer dietas controladas apesar de não fazerem com
que a doença não apareça são importantes no mínimo para atrasar o aparecimento
e travar o avanço desta doença que leva à decadência do ser humano que a porta.
Em suma, o cérebro é um órgão fantástico do qual ainda se desconhece muitas funcionalidades.
Apesar do mistério que ainda paira sobre ele, mesmo com o avanço da tecnologia,
todos sabemos que é o órgão mais importante que o ser humano poderia ter.
O sistema nervoso é constituído por um conjunto de estruturas que recebem a informação, comunicam-na, coordenam-na e organizam os comportamentos, desde os mais simples (reflexos) aos mais complexos como o pensamento, a memória, a imaginação e a linguagem. Em ambos os comportamentos estão envolvidos três tipos de neurónios: neurónios aferentes ou sensoriais, neurónios eferentes ou motores e neurónios de conexão ou interneurónios.
Comportamento complexo
Enquanto pensamos, no nosso cérebro, milhões de neurónios,
organizados em redes, trocam informações sob a forma de descargas
elétricas e químicas.
O sistema nervoso é constituído essencialmente por dois tipos de células: as células gliais ou células da glia e os neurónios ou células nervosas. O neurónio é elemento estrutural básico do sistema nervoso. É constituído por o corpo celular, as dendrites e o axónio.
No senso comum consideramos que “vemos com os olhos”. Apesar da maior parte dos processos iniciar-se nos orgãos dos sentidos (visão, audição,etc.), conhecidos como mecanismos de receção ou recetores, as informações captadas são interpretadas e tratadas pelo sistema nervoso central (cérebro e espinal medula) e sistema nervoso periférico (sistema nervoso somático e sistema nervoso autónomo), que coordena, processa e determina as respostas aos estímulos que receberam, Mecanismos de coordenação ou de processamento. Os efetores ou os mecanismos de reação são responsáveis por efetuarem as respostas aos estimulos, constituídos sobretudo por músculos e glândulas.
Ana Monteiro
Neurogénese, por Shinya Yamanaka.
Yamanaka descobriu que células
– tronco adultas podiam ser reprogramadas e voltar a ter características
semelhantes às células tronco embrionárias (CTE). Através de células da pele (fibroblastos) e da ativação de alguns genes, Shinya
conseguiu que células já diferenciadas voltassem a um estágio “pré-diferenciado”
e passassem a comportar-se como células-tronco pluripotentes, ou seja, uma
célula é induzida a perder a sua especialização e a voltar a ser uma célula imatura semelhante à célula-tronco
encontrada no embrião. Tais células foram chamadas de IPS (induced pluripotent
stem-cells) e possuem a capacidade de dar origem a todos os tecidos.
Contudo, o lado “se não” de
tais células é que elas não esquecem a sua origem, ou seja, se elas forem retiradas
do fígado, por exemplo, irão diferenciar-se preferencialmente em células hepáticas,
um comportamento diferente das CTE.
Por outro lado, os ensaios terapêuticos
com células-tronco adultas vêm confirmando que elas não são capazes de
regenerar neurónios. No caso de doenças neuromusculares ou neurológicas, a
expectativa é que confiram uma neuroprotecção, isto é, ajudem a conservar os neurónios
que ainda estão saudáveis.
Yamanaka, conseguiu ainda
encerrar discussões éticas, pois ao utilizar células já adultas evita o uso de células
embrionárias e a morte dos embriões.
Uma aplicação futura das
IPS:
Uma das dificuldades no
transplante de medula óssea hoje em dia para doenças como a leucemia é a falta
de um doador compatível. Porém, “o homem” já conseguiu com sucesso pegar uma
célula de pele e transformá-la em células IPS. Se futuramente se conseguir que
tal célula se diferencie única e eficazmente em uma CT da medula, será possível
findar com a falta de doadores, pois o doador será o próprio paciente a partir
das células da sua pele, que serão induzidas a produzir células do sangue.
Quando falamos da evolução humana em particular da evolução do encéfalo, o órgão mais complexo do nosso corpo e, em muitos aspectos ainda desconhecido é difícil identificar uma única causa selectiva que possa justificar o seu rápido e eficaz desenvolvimento.
“Novas tarefas estimulam o cérebro e permitem a sua evolução, enquanto um cérebro melhor estimulado e consequentemente desenvolvido, permite a realização de novas tarefas.”
O que nos distingue dos outros animais, é o fato de apresentarmos consciência, saber reflexivo. Tal capacidade nos tornou capazes de criar e descobrir. Aliando trabalho à criatividade, criamos o nosso mundo. Além disso, desenvolvemos uma linguagem eficiente, o que nos possibilita transmitir, acumular e transformar conhecimentos adquiridos ao longo das gerações.
O cérebro teve de se adaptar e de conseguir elaborá-los mais rapidamente, os vários estímulos que estava recebendo. Mas o sistema neuronal em que o cérebro se baseia não pode reger mais do que uma quantidade de informação em cada ocasião: se aquilo que deve elaborar ultrapassar o limite, produz-se um curto-circuito.
Como seres humanos, podemos realizar grandes mudanças em nossa forma de viver. Por sermos capazes de construir um saber reflexivo, observamos, refletimos, analisamos e julgamos o que nos cerca. Temos a capacidade de questionar o passado, modificar o presente e planejar o futuro. Somos criatura e criador do mundo em que vivemos. Não nascemos prontos pelas “mãos da natureza”. Nossa vida é, em grande medida, um processo de “renascer” contínuo, com a expressão de novas ideias, novas habilidades, novas formas de pensar.
Em síntese, posso concluir que o nosso encéfalo é o órgão mais complexo do nosso corpo, e que evolui muito rapidamente ao longo dos séculos. Uma justificação dessa evolução é a realização de novas tarefas (experiências sensoriais), que por consequência quanto mais evoluído estiver o nosso cérebro vai permitir a realização de novas tarefas, mais conhecimento para por em prática. Esse conhecimento adquirido e acumulado, passa de geração em geração através da nossa linguagem.
Todos os animais nascem quando a
sua maturação morfológica e fisiológica está praticamente concluída. Por outras
palavras, nascem assim que estão suficientemente desenvolvidos para se
adaptarem ao meio com alguma facilidade e para se tornarem independentes da
progenitora. Os patrimónios genéticos dos animais proporcionam os elementos
necessários para que os comportamentos destes seres vivos sejam orientados, de
forma eficaz, em direcção à sobrevivência e à adaptação ao meio ambiente dos
mesmos.
Ao contrário dos animais, o ser
humano nasce prematuro, visto que não apresenta capacidades desenvolvidas que
permitam assegurar a sua sobrevivência, necessitando por isso de protecção por
parte de adultos.
O Homem, ao nascer, apresenta um
inacabamento biológico que se denomina por neotenia. Esta consiste num atraso
no desenvolvimento que leva a que o indivíduo se desenvolva mais lentamente,
ficando deste modo dependente dos adultos durante mais tempo. É através da
imaturidade do bebé e do conceito de neotenia que é possível compreender que o
facto da infância humana ser longa deve-se a esta corresponder ao período de
finalização do desenvolvimento que ocorreu no interior do ventre materno.
O processo de desenvolvimento do
cérebro, que se designa por cerebralização, está relacionado com o retardamento
ontogenético, ou seja, com o prolongamento do período da infância e da
adolescência. Os genes de desenvolvimento são os responsáveis pelo ser humano
constituir um ser neoténico. Os traços próprios da infância e da adolescência
são um exemplo de um reflexo da neotenia presente no adulto. A relação
mãe-bebé, uma fase essencial no desenvolvimento, consiste noutro exemplo da
manifestação de neotenia.
O prolongamento da infância e da
adolescência, provocado pelo inacabamento biológico do ser humano e pela sua
prematuridade, constitui a condição necessária para o seu processo de adaptação
ao meio e desenvolvimento.
Diogo Macedo
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
“O cérebro nosso de cada
dia”
O organismo do ser humano
possui inúmerosórgãos, organizados em sistemas, que se relacionam entre si.
Destaca-se, de entre
todos os órgãos o cérebro. A sua capacidade de dominar e coordenar conjuntos
de funções muito complexas, demonstra a importância deste órgão que tem grande
relevo na definição de ser humano.
Não sendo o maior órgão do corpo, é o grande responsável por todo o comportamento humano. Trata-se da
sede da consciência, do pensamento, da memória e da emoção. Através dele, o
homem identifica, percebe e interpreta o mundo que o rodeia.
O cérebro é constituídomaioritariamente por duas células: a glia e o neurónio.
A primeira tem a função
de dar suporte e proteger a segunda, que carrega a informação sob a forma de
pulsos elétricos.
A informação é transmitida pelos
neurotransmissores durante a
chamadas sinapses.
Existem inúmeras doenças
relacionadas com o cérebro, tais como: Alzheimer, depressão, esquizofrenia,
stress, ansiedade, hipertensão, epilepsia, transtornos de personalidade, entre
muitas outras.
Curiosidades - Sabias
que...
...existem cerca de 180
mil quilómetros de vasos sanguíneos no cérebro.
...o cérebro das mulheres
é 10% mais pequeno que o dos homens.
...o cérebro tem a sua
maior atividade durante o sono.
...é mito dizer-se que
usamos apenas 10% das capacidades cerebrais.
...25% do oxigénio que
respiramos é consumido pelo cérebro.
...os impulsos nervosos
são transmitidos a uma velocidade superior a 320km/h.
Bruna Fernandes
Fazer ou não um teste genético?
·Finalidade
de um teste genético?
O
teste genético consegue detectar, com alguma precisão, a probabilidade de uma
pessoa adquirir uma doença ou saber se é portadora e sem risco de a desenvolver,
podendo apenas transmiti-la à descendência. O principal motivo de querer fazer
este teste, é evitar o stress e angústia das pessoas que podem ter herdado a
doença.
·Quem
deve ser testado?
Objectivamente, aqueles que têm na história
da família casos de uma doença hereditária para qual já exista um teste
genético fiável ou em casos de grande possibilidade já ter a doença.
Por norma, é recomendável, pelos médicos,
que só se faça o teste se houver uma intervenção para prevenir, retardar ou
diminuir a doença. É importante que a pessoa e a família estejam seguros que
querem obter as informações que o teste genético fornece, para isso, é necessário
um acompanhamento psicológico antes e depois da realização do teste e também um
acompanhamento dos médicos de família para que a pessoa e todos os envolventes
familiares sejam esclarecidos sobre o impacte que um resultado positivo pode
conferir.
·Até
que ponto pode confiar-se nos testes?
Os testes são mais fiáveis quando há um
historial de doença genética na família e a mutação genética que provocou a
doença é conhecida. Caso contrário, são de pouco ou nenhum valor. Existe a
probabilidade dos testes terem como resultado positivo e serem falsos e
vice-versa, por falta de informação da doença.
·E
se o teste for positivo?
Se o
resultado só apontar para uma maior probabilidade de se contrair a doença,
muitas vezes essa dúvida é suficiente para deixar a pessoa bastante angustiada
e preocupada com uma situação que pode nunca vir a acontecer. Mas, quanto mais
cedo souber, mais fácil será possível remediar/ evitar a transmissão da doença.
Será a
inteligência herdada geneticamente ou será adquirida ao longo da vida?
Por outras palavras, será que
nascemos com a nossa capacidade de raciocinar ou de resolver problemas lógicos
completamente desenvolvida? Ou será que esta inteligência não depende somente
de aspectos genéticos e o meio ambiente também desempenha um papel importante?
Na minha opinião,
parece-me evidente que tal como muitas outras caraterísticas, a inteligência
não foge à regra e está intimamente ligada aos processos hereditários, isto é,
caraterísticas adjacentes à inteligência como o QI(quociente de inteligência)
estão previstas nos nossos genes – genótipo – mas podem até não se demonstrar
ao longo da vida, uma vez que tudo irá resultar de uma interação entre o
genótipo e o meio ambiente em que o individuo se irá desenvolver – fenótipo.
Ainda à vinte anos atrás afirmava-se que a
inteligência era uma capacidade inata e o QI uma característica mais ou menos
estável num sujeito, permanecendo constante até ao fim da vida. Porém, não é
assim que se pensa hoje em
dia. Aliás, lembro-me de ainda à pouco tempo ter lido num
determinado artigo que um estudo sobre este assunto, desenvolvido por
cientistas de universidades dos diferentes sítios do mundo, mostrava que :
“Segundo os pesquisadores, quase todas as relações encontradas, até agora,
entre a inteligência de uma pessoa e o seu ADN está muito mais ligada a
mutações genéticas do que ao QI dos familiares das pessoas em estudo. Ainda assim,
a maior parte das caraterísticas físicas como a massa corporal ou a cor da pele
são herdados dos progenitores”. A partir deste pequeno excerto podemos concluir
que o facto de termos uma boa capacidade de raciocínio não se deve apenas ao
facto de os nossos pais serem inteligentes, como também às mutações que
acontecem nos nossos genes e que nos permitem mudar a forma de pensar, aumentar
a nossa capacidade de resolver problemas até uma determinada idade. E é aqui
que é introduzido outro termo: a neotenia.
A neotenia define-se,
de um modo geral, como a capacidade de prolongar as caraterísticas da
adolescência até a fase adulta, ou quem sabe, até mesmo à hora da morte. Isto
é, prolongar a capacidade de alterar a nossa forma de
pensar, coisa que não acontece com muita gente, que vê esta funcionalidade completamente
desenvolvida por volta dos dezasseis, dezassete anos.
Portanto, ainda
estamos longe de atingir o consenso acerca de certas opiniões sobre o
desenvolvimento da inteligência humana. Mas a verdade é que têm ocorrido
desenvolvimentos no que toca a esta matéria durante os últimos anos, e algumas
ideias falsas já foram, inclusive, refutadas. Assim, daqui a alguns anos,
provavelmente, já seremos capazes de compreender conceitos que para já não
somos capazes de interpretar com toda a certeza.
O que é? A
que se deve? E o porquê de toda a importância que lhe é dada?
Individualidade – s.f. conjunto das qualidades características do
individuo, personalidade, pessoa categorizada, prócere, individuo ( De
individual + -idade)
A individualidade pode ser
entendida de várias maneiras, há os que dizem que o nosso código genético é
aquilo que nos torna únicos! Mas se assim é, então o que têm eles a dizer
acerca dos gémeos monozigóticos? Seres com exactamente o mesmo genótipo. Será que
esses seres podem procurar a individualidade? Ou estarão condenados a viver no
mesmo mundo que uma réplica de si mesmos sem qualquer possibilidade de se
sentirem originais, irreverentes? Felizmente isto não corresponde à verdade, ou
pelo menos totalmente à verdade, porque se é verdade que não é a genética que
dita a nossa individualidade, essa mesma individualidade não é também
unicamente ditada por factores ambientais.
Assim temos aquilo que nos é
sugerido pela prespectiva epigenética, ou seja, que a nossa individualidade é o
resultado de uma interação entre a nossa informação genética e o
meio(experiencia pessoal, influencias). Sem sermos inseridos num meio social,
somos apenas um poço de virtualidades, possibilidades, predisposições
irrealizáveis, e sem informação genética não existimos…
A prespectiva supracitada é
fortemente apoiada por muitos estudos, incluindo estudos feitos em gémeos
verdadeiros de onde as conclusões que tiramos são muito esclarecedoras.
Usando um estudo feitos nos
países escandinavos por volta de 2003, os resultados sugerem que quando dois
gémeos verdadeiros que são separados à nascença, ou durante os primeiros anos
de vida e são criados separadamente serão futuramente mais semelhantes do que ,
gémeos que sejam criados juntos ou separados mais tardiamente.
“Pequenas diferenças no carácter inato , de gémeos
verdadeiros, são exageradas pela convivência. Se um deles é, por exemplo, mais
extrovertido do que o outro eles gradualmente exagerarão essa diferença”
Palavras do investigador no
seguimento das conclusões a que chegou, destas mesmas palavras podemos tirar
que , o código genético, o que nos é inato tem influencia naquilo que nós
somos, porque segundo as conclusões se os irmãos gémeos forem separados numa
fase inicial o inato torna-os mais parecidos enquanto se forem criados juntos o
meio social em que normalmente se inserem os dois conjuntamente vai
diferenciando-os mas mais ainda, penso que podemos ver que a individualidade
vai além de genética e factores ambientais, mais do que um fruto da nossa
história pessoal ou da historia que nos está impressa nos genes , mas é também
uma necessidade do nosso ego, da nossa natureza levando-nos assim ao último
ponto desta reflexão: O porquê da importância dada à individualidade.
À falta de artigos e estudos
sobre este tema vou expor, assim, uma opinião íntima e pessoal.
Todos nós gostamos de nos
sentir-mos especiais, originais, únicos. Todos nós gostamos de ser ouvidos,
vistos e apreciados. Todos nós esperamos ser lembrados, deixar uma marca no mundo,
e tudo isto nos faz muitas vezes metamorfosear em algo novo, algo parecido
connosco mas que não somos exactamente nós ou seremos nós mas não iguais ao que
tínhamos previamente sido e esta mudança não se deve a um instinto natural,
animaleco e inato nem a pressões sociais dos nossos pares isto e algo
proveniente do nosso mais íntimo ser, das profundezas do nosso eu, de uma
natureza que procura verdade num mundo de ilusões, harmonia num caótico
universo e individualidade num teatro global.
Pena que nos estranhos tempos que
correm se confunda tão vulgar e banalmente individualidade com falsidade ou
futilidade materialística e/ou sentimental porque o mundo não é uma passerelle
gigantesca, mas o lugar onde faremos parte da mais alucinante, magnífica, única
e irrepetível experiência … A própria VIDA .